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        <title>A esquerda pequeno-burguesa não conhece a vida do trabalhador</title>
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        <description>Momentos da Análise Política da Semana do dia 24 de junho de 2017, por Rui Costa Pimenta, que acontece ao vivo todos os sábados, às 11h30, na COTV, vídeo completo: https://www.youtube.com/watch?v=-E_FYZKbG6E "Fala-se em esquerda. Mas é preciso conhecer essa esquerda em carne e osso. Há a esquerda PSOL, por exemplo. Ela é formada quase toda por gente universitária. Tem universitários estudantes, tem universitários professores também. E tem até muitos secundaristas integrando o PSOL, mas o importante é que eles vivem num determinado meio-ambiente, que é o universitário antes de qualquer outro. É uma esquerda de classe média, que nós que também somos esquerda costumamos chamar de 'pequeno-burguesa'. Essa esquerda até fala em classe operária e socialismo, mas isso é uma ideologia. Porque é uma fantasia, como uma criança que pode se fantasiar de guerreiro medieval, embora só tenha a imagem do cavaleiro medieval dos filmes de Hollywood. Do ambiente universitário e de classe média, essa esquerda não conhece o cotidiano da classe operária e da população pobre. Veja, quando o PT lançou o Bolsa Família, a maior parte da esquerda contrariou o programa e disse o mesmo que a direita: Que era 'assistencialismo'. E por quê? Porque a maior parte da esquerda não passa fome. No semiárido baiano, onde não cresce nem cacto, creio que ninguém seria contrário à ajuda do governo para sobreviver. Mas se for assistencialismo, isso é pior do que um governo que deixa o povo morrer de fome? É como os comentários que se ouvia a respeito do comunismo. As pessoas diziam que entrariam cinco famílias para viver na sua casa se o comunismo chegasse onde você está. Porém, em alguns lugares da Rússia, o inverno de 40 graus negativos matava de frio quem dormisse ao relento, e eu garanto que para quem não tinha casa era melhor mudar-se com a família para um dos palacetes da região. Claro, do ponto de vista de quem já vivia no palacete ou na mansão, com sua sala de jogos, sala de piano, era melhor que outra pessoa morresse de frio na rua. É um problema de ponto de vista, e é por isso que a questão de classe é tão importante. A esquerda universitária tem seu próprio mundo, que não é o mundo da classe operária, infelizmente. Os problemas que a população operária enfrenta são estranhos a essa esquerda, e por isso é muito natural que sua política tenha como carro-chefe a questão do gênero, muito presente nas rodas de classe média, mas pouco ainda no cotidiano operário; uma espécie de feminismo imaterial, mais preocupado com alguém que disse algo que possa menosprezar uma mulher do que, por exemplo, a construção de creches públicas para mulheres trabalhadoras. As prioridades, nesses dois mundos, são muito diferentes." Rui Costa Pimenta</description>
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